Adicional de insalubridade soldador

Adicional de insalubridade soldador: quando ele existe de verdade

Se voce trabalha soldando pecas de metal, respirando fumaca o dia inteiro perto da mascara, provavelmente ja ouviu falar em adicional de insalubridade soldador, mas ninguem te explicou direito quanto isso vale nem quando cai na sua folha de pagamento. Essa e a duvida mais comum que chega no meu escritorio vinda de soldadores de industria, oficina e construcao civil.

Índice

Orientação jurídica

Cada detalhe do seu caso muda a resposta

Este artigo apresenta a regra geral. Datas, documentos e o que consta no seu contrato definem o que se aplica à sua situação.

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O que voce precisa saber sobre o adicional de insalubridade soldador

  • Problema real: o soldador respira fumos metalicos e fica exposto a radiacao nao ionizante do arco voltaico, dois riscos que a lei trabalhista reconhece como prejudiciais a saude.
  • Regra geral: quem tem direito recebe adicional de insalubridade em grau medio (20%) ou maximo (40%) sobre o salario minimo, dependendo do agente e da intensidade da exposicao.
  • Solucao pratica: a confirmacao do direito depende de um laudo tecnico (perícia ou PPP, perfil profissiografico previdenciario) feito por engenheiro ou medico do trabalho, o chamado laudo pericial.
  • Papel do advogado: revisar se a empresa pagou o grau correto, se usou a base de calculo certa e se cabe acao para cobrar diferencas dos ultimos anos.

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A historia que se repete nas oficinas de solda

Um cliente meu, soldador havia oito anos numa metalurgica do interior, veio ao escritorio porque desconfiava que o adicional de insalubridade soldador pago pela empresa estava errado.

Ele soldava chapas de aco o dia inteiro, numa area fechada, sem exaustor funcionando direito. A empresa pagava 10% de adicional, calculado sobre o salario minimo.

Depois de um laudo pericial, ficou provado que a fumaca metalica que ele respirava enquadrava o caso em grau maximo, 40%, nao em grau minimo. A diferenca acumulada em cinco anos passou de 18 mil reais. Esse tipo de erro e mais comum do que parece, e normalmente acontece porque a empresa nunca atualizou o laudo tecnico ou aplicou o grau errado desde o principio. Se voce trabalha em outra area exposta a agentes quimicos ou biologicos, tambem pode se identificar com o nosso artigo sobre adicional de insalubridade para enfermeiro.

O que diz a lei sobre insalubridade do soldador

A base legal esta na Norma Regulamentadora 15 (NR-15), do Ministerio do Trabalho, que lista os agentes insalubres e os graus de risco.

Fumos metalicos gerados na solda entram no Anexo 13 da NR-15, que trata de agentes quimicos, e sao a principal causa de reconhecimento do adicional de insalubridade soldador nos processos que acompanhamos.

Ja a radiacao nao ionizante emitida pelo arco voltaico (a luz muito forte que sai durante a solda) esta prevista no Anexo 7. Dependendo do metal soldado e da tecnica usada (solda eletrica, MIG, TIG, oxicorte), o soldador pode se enquadrar em mais de um agente insalubre ao mesmo tempo, o que aumenta o percentual do adicional de insalubridade soldador devido.

Na pratica dos tribunais, o que costumamos ver e o seguinte: quando ha exposicao a fumos de manganes, chumbo ou outros metais pesados, o grau tende a ser maximo, 40% sobre o salario minimo. Quando o agente e apenas a radiacao nao ionizante sem outros fatores agravantes, o grau costuma ser medio, 20%. Cada caso depende do laudo, e por isso a pericia judicial e tao decisiva quando o assunto do adicional de insalubridade soldador vai parar na Justica do Trabalho.

Quanto vale o adicional de insalubridade soldador na pratica

O calculo do adicional de insalubridade soldador parte do salario minimo nacional, nao do salario do trabalhador, salvo se a convencao coletiva da categoria disser o contrario. Em 2026, o salario minimo e a base de referencia. Grau minimo equivale a 10% desse valor, grau medio a 20% e grau maximo a 40%, sendo esses os tres percentuais possiveis de adicional de insalubridade soldador. Isso quer dizer que um soldador enquadrado em grau maximo recebe 40% do salario minimo vigente, todo mes, alem do salario normal.

Essa forma de calcular, usando o salario minimo como base, foi confirmada pela Sumula Vinculante 4 do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa sumula e uma decisao que vale para todos os processos do pais e diz que, enquanto nao existir uma lei ou norma coletiva criando outra base de calculo, continua valendo o salario minimo. Muitas empresas tentam pagar o adicional sobre o piso da categoria ou sobre outro valor menor.

Isso costuma ser contestado com sucesso na Justica quando nao ha previsao expressa em convencao coletiva permitindo essa base de calculo diferente.

Salario minimo ou salario base, qual vale depois da reforma trabalhista

Em 2017 entrou em vigor a Lei 13.467/2017, conhecida como reforma trabalhista. Ela tentou mudar a base de calculo do adicional de insalubridade para o salario contratual do trabalhador, em vez do salario minimo.

Essa mudanca especifica acabou sendo barrada, porque contraria diretamente a Sumula Vinculante 4 do STF. Essa sumula so pode ser alterada por outra decisao do proprio STF ou por lei especifica sobre o tema. Por isso, ainda hoje, a jurisprudencia predominante do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mantem o salario minimo como base de calculo.

Essa regra so muda quando existe norma coletiva da categoria fixando base diferente e mais vantajosa, ou quando ha piso salarial proprio da categoria definido em lei.

Se voce e soldador e sua empresa passou a calcular o adicional de insalubridade soldador sobre outro valor depois de 2017 sem previsao em acordo ou convencao coletiva, vale a pena revisar os holerites dos ultimos anos. Essa e uma das causas mais frequentes de diferenca salarial que encontro em auditorias trabalhistas de soldadores e outros profissionais expostos a agentes insalubres.

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Fumos metalicos, o principal risco do soldador

Quando o metal e aquecido durante a solda, ele libera particulas microscopicas no ar, os chamados fumos metalicos. Dependendo do metal (aco carbono, aco inox, aluminio, galvanizados), essas particulas podem conter manganes, cromo, niquel e zinco.

Respirados por anos, esses elementos causam doencas respiratorias serias, como a chamada febre dos fumos metalicos e, em exposicao prolongada, problemas pulmonares cronicos. E exatamente por isso que a NR-15 trata esse agente com rigor.

Um ponto que muita gente nao sabe: soldar aco galvanizado (revestido de zinco) ou pecas pintadas aumenta o risco, porque libera compostos adicionais na fumaca. Se o seu laudo pericial nao considerou o tipo especifico de material que voce solda no dia a dia, isso pode ser motivo para contestar o grau do adicional de insalubridade soldador aplicado pela empresa.

Radiacao nao ionizante do arco voltaico

Todo processo de solda eletrica produz uma luz muito intensa, o arco voltaico, que emite radiacao ultravioleta e infravermelha, classificadas como nao ionizantes. Esse tipo de radiacao nao causa cancer da mesma forma que a radiacao ionizante (como raio-x), mas provoca lesoes nos olhos (a famosa vista de solda, que causa dor e sensibilidade a luz) e queimaduras de pele com exposicao repetida sem protecao adequada.

Mesmo usando mascara e protetor facial, a NR-15 reconhece esse risco como insalubre quando a exposicao e habitual e nao apenas eventual. Isso significa que, se soldar faz parte da sua rotina normal de trabalho, e nao algo esporadico, o direito ao adicional de insalubridade soldador existe independentemente do uso de equipamento de protecao individual (EPI), porque o EPI reduz o risco mas nao elimina ele por completo aos olhos da lei.

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O EPI cancela o direito ao adicional de insalubridade soldador?

Essa e uma das perguntas que mais recebo. A resposta correta e: depende do agente e da eficacia comprovada do equipamento. Para alguns agentes insalubres, o uso de EPI adequado e realmente eficaz pode neutralizar o adicional, mas isso precisa estar comprovado no laudo tecnico, com informacao clara sobre o Certificado de Aprovacao (CA) do equipamento e a frequencia de uso e troca.

Na pratica dos tribunais, o que costumamos ver e que empresas alegam fornecer EPI, mas nao comprovam a entrega regular, a troca periodica ou o treinamento correto de uso. Quando falta qualquer um desses tres elementos, a jurisprudencia do TST tende a manter o direito ao adicional, porque EPI mal gerenciado nao neutraliza risco de verdade. Guarde sempre os recibos de entrega de EPI e registre se a empresa trocava as luvas, mascaras e aventais com regularidade, porque essa prova costuma decidir o resultado do pedido de adicional de insalubridade soldador.

Como funciona o laudo pericial na pratica

Quando o caso vai para a Justica do Trabalho, o juiz normalmente nomeia um perito, um engenheiro ou medico do trabalho independente, para visitar o local (ou simular as condicoes, se a empresa ja fechou) e produzir um laudo tecnico. Esse laudo descreve o ambiente, os agentes presentes, a intensidade da exposicao e conclui qual grau de insalubridade se aplica, se algum.

Antes de entrar com a acao, tambem vale pedir o PPP (perfil profissiografico previdenciario), documento que a empresa e obrigada a fornecer e que registra o historico de exposicao a agentes nocivos durante todo o contrato de trabalho. Esse documento serve tanto para aposentadoria especial quanto como prova inicial no processo que discute o adicional de insalubridade soldador, antes mesmo da pericia judicial.

Prazo para cobrar diferencas do adicional de insalubridade soldador

O trabalhador tem ate dois anos apos o fim do contrato de trabalho para entrar com a acao trabalhista. Dentro da acao, so podem ser cobradas diferencas dos ultimos cinco anos contados da data do ajuizamento, esse e o chamado prazo prescricional. Ou seja, se voce foi demitido ha um ano e meio e trabalhou dez anos como soldador sem receber o adicional correto, ainda da tempo de entrar com a acao, mas so vai conseguir reaver os ultimos cinco anos antes do processo, nao os dez anos inteiros.

Por isso, quanto antes o soldador buscar orientacao juridica sobre o adicional de insalubridade soldador, maior a chance de recuperar o periodo completo ao qual ainda tem direito. Cada mes de atraso pode significar a perda definitiva de uma parcela do valor devido.

Cumulo com adicional de periculosidade, e possivel para quem recebe adicional de insalubridade soldador?

Alguns soldadores tambem trabalham proximos a botijoes de gas ou tanques inflamaveis, no caso do processo de oxicorte, que usa oxigenio e acetileno. Isso pode gerar direito ao adicional de periculosidade, previsto na NR-16 e no artigo 193 da CLT (Consolidacao das Leis do Trabalho, a lei principal que rege as relacoes de trabalho no Brasil).

Se quiser entender melhor como funciona esse adicional em outra profissao de risco, veja nosso artigo sobre adicional de periculosidade eletricista.

A regra geral e que insalubridade e periculosidade nao se acumulam automaticamente. O trabalhador escolhe qual dos dois adicionais quer receber, ficando com o mais vantajoso.

Existem raras excecoes discutidas em processos recentes no TST sobre cumulacao em situacoes de risco distintos e simultaneos.

Se o seu trabalho envolve os dois riscos ao mesmo tempo, vale a pena um advogado avaliar qual cenario e mais vantajoso para o seu caso especifico de adicional de insalubridade soldador, considerando o seu salario e o grau aplicavel.

Perguntas frequentes sobre adicional de insalubridade soldador

Todo soldador tem direito automatico ao adicional de insalubridade soldador?

Nao. O direito depende de laudo tecnico comprovando a exposicao habitual aos agentes insalubres, como fumos metalicos ou radiacao do arco voltaico. Sem laudo favoravel, a empresa pode negar o pagamento legalmente.

Qual e o grau do adicional de insalubridade soldador mais comum?

Depende do agente identificado no laudo. Fumos metalicos costumam gerar grau maximo (40%), enquanto exposicao isolada a radiacao nao ionizante tende a grau medio (20%). Cada caso exige analise tecnica especifica.

O adicional de insalubridade soldador incide sobre o 13º salario e ferias?

Sim. Por ter natureza salarial, o adicional de insalubridade integra o calculo do decimo terceiro salario, das ferias com um terco constitucional e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Servico).

Posso pedir insalubridade mesmo estando na empresa ainda?

Sim. Nao e preciso esperar a demissao para reivindicar o adicional. E possivel notificar a empresa administrativamente ou entrar com acao trabalhista mesmo durante o contrato vigente.

A empresa pode pagar insalubridade sobre o piso da categoria em vez do salario minimo?

Somente se houver previsao expressa em convencao ou acordo coletivo da categoria estabelecendo base de calculo diferente e mais vantajosa. Sem essa previsao, prevalece o salario minimo, conforme a Sumula Vinculante 4 do STF.

Uso de mascara de solda tira meu direito ao adicional?

Nao necessariamente. O EPI so neutraliza o adicional quando comprovadamente eficaz, com Certificado de Aprovacao valido, entrega regular e troca periodica documentada. Sem essa comprovacao completa, o direito ao adicional costuma ser mantido.

Quanto tempo tenho para entrar com acao pedindo insalubridade atrasada?

Dois anos apos o fim do contrato de trabalho, podendo cobrar diferencas dos ultimos cinco anos anteriores ao ajuizamento da acao. Passado esse prazo, o direito de cobrar prescreve.

Preciso de exame medico para comprovar a insalubridade?

O elemento central e o laudo tecnico do ambiente de trabalho, feito por engenheiro ou medico do trabalho. Exames medicos pessoais podem reforcar o caso, mas nao substituem a pericia tecnica do local.

Solda em ambiente aberto tambem gera direito ao adicional?

Pode gerar, dependendo da concentracao dos agentes mesmo ao ar livre. A ventilacao natural reduz o risco, mas nao elimina automaticamente a insalubridade, que depende de medicao tecnica especifica no laudo pericial.

O que fazer agora se voce e soldador e desconfia do valor do adicional de insalubridade soldador

Se voce trabalha soldando e recebe adicional de insalubridade soldador, o primeiro passo simples e comparar o percentual do seu holerite com o que a lei preve para o seu tipo de exposicao. Muitos soldadores recebem grau minimo quando deveriam receber grau medio ou maximo, e essa diferenca, multiplicada por anos de contrato, costuma representar valores relevantes.

Vale reunir os documentos antes de qualquer conversa com a empresa ou acao judicial: holerites dos ultimos anos, PPP, qualquer laudo tecnico que a empresa ja tenha, e uma descricao detalhada das suas atividades diarias, incluindo tipo de metal soldado, tecnica usada e tempo de exposicao por dia. Esses detalhes fazem toda diferenca na hora da pericia.

Um advogado trabalhista especializado em adicional de insalubridade soldador consegue avaliar se o grau pago esta correto, se a base de calculo respeita a Sumula Vinculante 4 do STF, e se ainda da tempo de cobrar diferencas dentro do prazo prescricional de cinco anos. Em muitos casos, essa revisao revela valores esquecidos que fazem diferenca real no orcamento da familia.

Nao deixe esse tipo de direito se perder por falta de informacao. A legislacao trabalhista protege quem convive diariamente com fumos metalicos e radiacao do arco voltaico, mas essa protecao so vira dinheiro no bolso quando alguem cobra da forma certa, com prova tecnica solida e dentro do prazo legal. Se restar qualquer duvida sobre o seu caso especifico, vale muito buscar uma avaliacao juridica individual antes de tomar qualquer decisao.

Atenção ao prazo do seu direito

Muitos direitos trabalhistas prescrevem com o tempo. Quanto antes você buscar orientação, maiores são as chances de reverter a situação.

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Luiz Armando Carneiro | OAB-TO 5.057

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